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Rio Encontros 2017. Muito Obrigado!

Gratidão e maravilhamento comovido frente a um acontecimento surpreendente. Essa frase pode resumir a percepção que os dias do Rio Encontros 2017 deixaram em nós, que o preparamos cheios de expectativa e o vivemos com os olhos escancarados para não perder nada.

Tudo o que aconteceu excede, é muito mais que a consequência do pouco mais de um ano de trabalho preparatório. Um pequeno grupo de amigos, imbuídos de uma audácia ingênua, não seria capaz de fazer acontecer o que vimos.

Começando pela mesa de abertura, onde fomos colocados diante da atração da beleza, que nos remete ao Mistério, e se impõe, fazendo-nos silenciar para admirar o desejo do “algo a mais” que explode no coração. Exatamente a mesma experiência feita diante do testemunho do Beto, evidenciando a irredutibilidade do homem à sua história e aos seus erros, porque livre, e comovendo – não sentimentalmente, mas através da identificação de cada um com o que ele contava – até as lágrimas. Do amor ninguém foge, e a experiência de ser amado, de ser tratado como pessoa é capaz de realizar milagres. De novo a Beleza se impõe, e nos enche de silêncio.

O mesmo amor, que é capaz de recuperar um criminoso, se torna obra, faz entrar na comunidade carente para chegar à carência do coração de cada um, não apenas para resolver o problema social. No centro de tudo está mais uma vez a pessoa e sua liberdade, porque aquele que sabe quem ele mesmo é, quem se reconhece amado, mesmo sendo portador do vírus HIV ou até mesmo doente de AIDS, pode ser mais livre que o pobre professor universitário estrangeiro de roupas elegantes. Mais surpresa e maravilhamento.

E, de novo, a novidade se impõe, independente da circunstância: entrar na realidade do trabalho com uma hipótese positiva muda, não o trabalho, mas a pessoa, e ela se torna capaz de construção, mesmo que esperem dela uma perfeição impossível, porque a perfeição a que aspira o homem – no Brasil, na Uganda ou na Coréia do Sul – é ontológica. E o amigo engenheiro volta para casa do outro lado do mundo, e a esposa exclama “Você voltou mudado do Rio!”

Enfim, dias surpreendentes, acima de qualquer expectativa, que nos testemunharam através de experiências concretas – não de teorias claras e abstratas, mas incapazes de mudar – que nada é capaz de nos escravizar quando somos objeto de um amor gratuito que nos revela que a vida tem sentido.

Podemos, então, responder: sim, a Vida é séria, e dinheiro, filhos, trabalho, saúde também são sérios na sua justa medida, porque fazem parte da seriedade da Vida.

Fotos: Rodrigo Canellas

Publicado em: 8 de fevereiro de 2017

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