Mensagem final
Chegamos mais uma vez ao final do Rio Encontros comovidos e felizes por aquilo que o Senhor fez acontecer entre nós. E, de novo, podemos dizer que é nossa, hoje, a experiência descrita no Evangelho: “E os seus discípulos creram nEle”.
Na mesa que se encerrou há pouco, Alexandre citou padre Giussani quando diz que, com Cristo, as coisas humanas se tornam verdadeiramente humanas. E foi assim que vimos e ouvimos nos vários testemunhos desses dois dias como o ímpeto humano de ir ao encontro da necessidade do irmão se realiza de forma potencializada na experiência cristã.
Em vários momentos deste Rio Encontros 2025, ouvimos que viver a caridade é um caminho, uma estrada a ser percorrida, porque nada é automático e acontece simplesmente como uma reação em cadeia quando o que está no centro, em ação, é a pessoa, com a sua liberdade, sua expectativa de felicidade e suas contradições.
Partimos na sexta-feira com a proposta de ter os olhos e o coração abertos para verificar porque a caridade cristã não se reduz a filantropia. E, nesses dois dias, podemos dizer que fomos ajudados a entender isso através da forma mais eficaz de educação: partindo dos relatos da experiência da caridade, que se manifesta em obras e em iniciativas pessoais, pudemos entender também as ideias e os conceitos que estão por trás de tudo isso.
Outra palavra que nos acompanhou foi a palavra companhia. Disseram José Paulo, Darlete, Elenice, Irmã Leonice, Marcos, que precisamos de companhia, porque, sozinhos, no máximo nos esforçaríamos para ser altruístas, tentando esquecer algum aspecto da diversidade que são as pessoas com quem temos que nos relacionar na família, no trabalho, nos grupos sociais em que estamos inseridos, para poder abraçá-las. E isso não é humano – talvez um robô possa fazê-lo sem dramas. Precisamos de uma companhia que nos eduque à caridade, que permita olhar para o aluno que pede atenção porque precisa “somente” de um abraço, porque ele só poderá perceber a própria dignidade se se perceber amado. E o amor, como dizia Borba, é um juízo, não somente um sentimento. E só o ser humano é capaz de julgar.
Isso não é possível para uma companhia apenas humana, como sabemos por experiência, e nem pode ser feito pela Inteligência Artificial. Somente a companhia de Cristo, Aquela presença que, única, permanece em meio às tantas mudanças que acontecem de modo acelerado no mundo contemporâneo. Ele nos ama primeiro, nos abraça, tem misericórdia de nós, e permite, como graça, que nasça um olhar entre pessoas que reflete o dEle. E que será, da nossa parte, sempre imperfeito, cheio de altos e baixos, mas indomável.
A companhia de Cristo presente na história é a Igreja, humana, porque feita por nós, com as nossas qualidades e defeitos, e divina, pela Sua Presença. E ela nos diz que a caridade cristã nos impele a ter atenção pelo pobre, pelo necessitado, a nos comover – mover com – e a nos interessar pelos problemas sociais. Como disseram o Núncio e os nossos amigos que participaram da mesa sobre Doutrina Social da Igreja, ela não é propriedade de nenhum partido político, de nenhuma ideologia ou posição ideológica, porque é original, nasce da caridade cristã.
Na sociedade conturbada de hoje, a verdadeira política pode ser a maior forma de caridade, não como enfrentamento de ideologias, mas, como disse Rodolfo Canônico, partindo da realidade e do diálogo, promover leis que favoreçam uma sociedade humana. E a ação política, que parte da necessidade da população, como nos contou Marcos Zerbini, se torna construção do bem comum, não dialética vazia e conflituosa.
Podemos, na medida da nossa liberdade sempre em jogo, concluir esses dias educados para um horizonte mais amplo e agradecidos pela companhia que da Igreja que, presente através de todos esses rostos, nos proporcionou belos dias de convivência para olharmos as coisas, a realidade, na sua profundidade. Reservem as datas (e as passagens) para do Rio Encontros 2026, que vai acontecer de 20 a 22 de novembro de 2026. Esperamos todos presencialmente no Rio de Janeiro!
Mensagem de abertura
Boa noite! Em nome do CCFP, quero dar as boas-vindas a todos nesta que é a oitava edição do Rio Encontros.
O tema que escolhemos, “ A caridade é o único tesouro que se aumenta ao dividi-lo”, do teólogo italiano Cesare Cantù, teve como objetivo nos ajudar a olhar, dentro do conturbado e conflituoso momento histórico em que vivemos, para experiências de obras e pessoas que, colocando-se gratuitamente na sociedade, comunicam uma maneira original de buscar a solução dos muitos problemas que nos afligem. Em termos globais, continua a terceira guerra mundial aos pedaços, como dizia Papa Francisco, com os conflitos no Oriente Médio, na Europa e na África; na América Latina, continuam os conflitos internos; a insegurança e a violência são comuns em todo o nosso país e, em particular, a grave situação do Rio de Janeiro são questões que não têm uma solução uniforme e fácil. Some-se a isso, a falta de diálogo na sociedade polarizada e paralisada por isso, que tende a criar bolhas em que são compartilhadas ideias com que se concorda e os ataques a quem pensa diferente.
A caridade – não entendida superficialmente como filantropia ou altruísmo, mas como a partilha da necessidade do outro, para que, juntos, seja possível olhar para o anseio último da pessoa, o destino bom que o coração espera – se demonstra, através de tantas experiências, uma possibilidade de resposta aos problemas, que não encontra holofotes, mas que é muito mais verdadeira e estável.
Foi por isso que escolhemos a imagem que acompanhará estes dias. A fotografia é do arquivo da Marinha dos EUA e tirada pelo tenente Wayne Miller em 1944, em Nápoles, na Itália, durante a Segunda Guerra mundial. Os meninos estão tão unidos, que parecem um só, tamanha a identificação do que apoia com a necessidade concreta daquele que necessita de apoio para se sustentar em pé. E, juntos, olham para as coisas que têm à frente, para o horizonte, para o destino.
Como diz o lema que acompanha o gesto da Coleta Nacional de Alimentos, trata-se de compartilhar a necessidade para compartilhar o sentido da vida.
Para os organizadores, o encontro com cada convidado foi um acontecimento cheio de comoção e admiração pela experiência que cada um faz e pela sua incidência na realidade em que essas experiências estão inseridas. Por isso, convidamos a todos a correr o risco de, participando conosco destes dias com olhos e coração abertos, surpreender nas colocações dos convidados, nas exposições e nos encontros e conversas dos intervalos a experiência concreta da caridade e a ficar admirados com ela.
Antes de concluir esta breve introdução, queremos prestar uma homenagem aos queridos amigos Débora Brazão, Alcina Alves e Matheus Valente, que participaram de edições anteriores do Rio Encontros e da nossa companhia e que nos deixaram no último ano.
Particularmente o jovem Mateus nos marcou com a sua fé e o testemunho de uma vida breve, intensa, na qual o sofrimento não foi obstáculo para manter a certeza do destino bom que desafia o mal e a morte.
Tendo em mente todas essas coisas, desejamos um excelente Rio Encontros 2025 para todos nós.
A frase do historiador e escritor Cesare Cantù – “A caridade é o único tesouro que se aumenta ao dividi-lo” – foi o tema escolhido para este ano.
O tema deste ano evoca a caridade enquanto uma doação que é enriquecidora para quem a realiza, a imagem proposta para representá-la nos introduz a um significado mais profundo.
A fotografia que foi usada para representar a caridade, obtida do arquivo da Marinha dos EUA e tirada pelo tenente Wayne Miller em 1944, em Nápoles, na Itália, durante a segunda guerra mundial, revela que a caridade é ajudar o outro enquanto olham juntos a realidade. É um compartilhar a vida e não apenas um doar-se.
Nos três dias do Rio Encontros, os participantes poderão encontrar pessoas e conhecer experiências concretas da caridade expressa em diálogos nas mesas-redondas, nas mostras culturais, no encontro poético e no show acústico. Aproveitando o caráter nacional do Rio Encontros e o tema da caridade, teremos uma reapresentação da mostra “Madre Teresa: vida, espiritualidade e mensagem”, contando a vida de Santa Teresa de Calcutá. Além disso, teremos a mostra “Caridade: a experiência humana universal”, que nos apresenta o conteúdo da Doutrina Social da Igreja e sua relação com a caridade, e a mostra “O Rosto da Caridade”, que comemora os 51 anos de existência da Escola Agrícola Rainha dos Apóstolos e nos mostra a própria caridade em ação na vivência e no trabalho em conjunto com os alunos.
A mesa-redonda “A caridade como ponto de partida na Educação: a comunicação de si.” coloca os participantes diante de experiências de caridade no ambiente escolar, trazendo à tona as experiências da Escola Agrícola Rainha dos Apóstolos (Manaus/AM), do CEDUC Virgilio Resi (Belo Horizonte/MG) e da Escola Padre Dr. Francisco da Motta (Rio de Janeiro/RJ).
No sábado teremos uma mesa-redonda sobre a caridade no acolhimento às famílias, no diálogo e na busca do bem comum, com participação de representantes de grupos como o Famílias para a Acolhida, Pró Vida e Family Talks. Ainda no segundo dia de encontro, será possível entender melhor o que nos propõe a Doutrina Social da Igreja e o que ela tem a ver com a caridade, especialmente pensando nas relações humanas, na cultura, na política e em outros âmbitos sociais.
No último dia do Rio Encontros, teremos uma mesa-redonda falando sobre os impactos da revolução tecnológica, do uso massivo de equipamentos eletrônicos e da inteligência artificial sobre a visão que o homem tem de si e dos demais ao seu redor, avaliando o impacto que essa transformação teve e tem sobre a percepção acerca da dignidade e do valor do homem. A última mesa-redonda será aquela que trabalhará sobre a própria frase de Cesare Cantú, que é tema desta edição do Rio Encontros, trazendo experiências humanas transformadas pela caridade. Nela teremos relatadas experiências do Projeto Social Pró-Criança Cardíaca e da vida de São José Gregorio Hernández, o médico do povo, recentemente canonizado pelo Papa Leão XIV.
Mantendo sempre a nossa tradição pela valorização da cultura, teremos um encontro poético onde poemas de diversos autores foram escolhidos para representar a verdadeira postura de caridade, e um show acústico onde as músicas foram pensadas de forma a realizar um percurso que nos ajuda a entender melhor o significado da caridade.
O Rio Encontros 2025 contará com a participação dos seguintes convidados: Darlete Sansereth de Oliveira, Elenice Matos, Inês Damasceno, Irmã Leonice Amadio, José Paulo Militão de Araújo, Ana Claudia Siqueira, Rodolfo Canonico, Marcelo Couto Dias, Francisco Borba Ribeiro Neto, Marcos Zerbini, Martionei Gomes, Núncio Apostólico do Brasil D. Giambattista Diquatto, André Tourinho, Nazaré Araújo, Carlos Crestana, Ana Carolina Carius, Gabriel Cruz, Bruna Pugliese, Andrea Marius e Alexandre André da Costa.
